Andragogia – Como Adultos Aprendem

O tema que vamos abordar neste artigo é determinante para a eficácia dos programas de treinamento e desenvolvimento de uma empresa.

Levando em conta que o público alvo é composto na sua maioria por adultos, as peculiaridades deste universo tornam o processo mais complexo do pondo de vista estrutural, sendo assim, é importante considerar que os métodos padrão de ensino podem não ser adequados.

Pare para refletir um instante, você consegue lembrar como se sentia nos primeiros anos de escola, em relação a lógica de aprender coisas que não faziam nem um sentido para sua realidade naquele momento? Certamente você não entendia muito bem o porquê, mas aprendia. Não é?

Nessa fase o professor é a autoridade máxima em sala de aula e o aluno não questiona sobre o que vai aprender, apenas aprende, isso porque crianças são dependentes e a capacidade de discernimento ainda está em formação, precisam ser conduzidas e orientadas no decorrer do seu desenvolvimento até o momento que se tornam adultos totalmente independentes em relação à forma de pensar, decidir e fazer escolhas.

Adultos são seletivos quanto ao aprendizado, porque possuem um acúmulo maior de experiências e informações que são referenciais para a formação de conceitos, suposições e base para percepção do mundo ao seu redor.

A partir desses referenciais o adulto toma suas decisões, faz suas escolhas e desenvolve o senso crítico para analisar e julgar novas informações como úteis ou inúteis. Já não se trata mais do aluno que sentava na sua carteira e aprendia sem questionar, para garantir suas notas azuis.

O que é Andragogia?

A palavra Andragogia vem do grego: Andros (adultos) + Gogos (educar).

Andragogia é um modelo de educação que propõe um estudo sobre o comportamento do adulto em relação ao ensino-aprendizagem, como ele aprende melhor, quais suas motivações para aprender, o que pode gerar resistência no processo, entre outras questões não contempladas no modelo padrão de ensino. Também sugere mudanças no comportamento do educador, que neste contexto deixa de ser apenas um transmissor de conhecimento e passa a ser um facilitador do aprendizado auto-orientado.

Malcom S. Knowles (1973) define andragogia como a arte e ciência de orientar adultos a aprender. Knowles foi professor na Universidade de Boston e diretor executivo na Associação de Educação para adultos.

Os 6 princípios da andragogia segundo Knowles, Holton e Swanson (1998)

1. Necessidade de saber: o adulto precisa entender o porquê do aprendizado e qual o ganho que ele terá com o processo. Nesse sentido, é importante demonstrar os gaps e os resultados esperados.

2. Autoconceito: adultos são responsáveis por suas ações e querem ser vistos dessa forma, também não gostam de imposições. Portanto, a relação professor-aluno que o coloque em uma posição passiva pode criar um conflito. O educador deve criar experiências que ajudem o participante a fazer a transição de aluno dependente para auto-orientado.

3. O papel das experiências: necessariamente, o adulto chega à sala de aula com muito mais experiência do que uma criança. O aprendizado será muito mais rico e intenso se cada participante sentir a oportunidade de contribuir no processo. O adulto é a sua experiência de vida, portanto, negar sua experiência é negar a pessoa.

4. Prontidão para aprender: o adulto estará mais disposto a aprender as coisas que necessita para atingir resultados positivos em situações reais de seu dia a dia, ou seja, a necessidade gera prontidão. Uma forma de demonstrar isso ao participante pode ser expondo-o a oportunidades de realizar um grande desempenho.

5. Orientação para a aprendizagem: diferentemente da criança, que é orientada para o processo de aprendizado em si, o adulto tem o foco em sua vida, suas tarefas e seus problemas. Ou seja, ele tem disposição para aprender o que dá resultado claro e preferencialmente imediato, portanto, é fundamental demonstrar a aplicação e a utilidade de cada conceito apresentado.

6. Motivação: embora alguns fatores externos possam ser importantes motivadores (melhores salários, promoções, etc.), os aspectos intrínsecos geram uma motivação muito mais ativa. Dessa forma, devem ser levados em conta programas que auxiliem no desenvolvimento de uma maior auto-estima, satisfação no trabalho ou qualidade de vida.

Um programa de treinamento e desenvolvimento para adultos, deve ser estruturado levando em consideração os princípios do modelo andragógico de educação, para a definição das melhores práticas e métodos a serem adotados no processo de ensino-aprendizagem, evitando assim possíveis frustrações quanto aos resultados esperados.

Para concluir, uma abordagem de Eduard C. Lindeman (1926) sobre o assunto.

“Uma das principais distinções entre educação convencional e de adultos é encontrada no próprio processo de aprendizagem. Em uma turma de adultos, a experiência do aluno conta tanto quanto o conhecimento do professor. Ambos são intercambiáveis. Em algumas das melhores turmas de alunos adultos, às vezes é difícil perceber quem está aprendendo mais, o professor ou os alunos. Essa aprendizagem de mão dupla também está refletida na autoridade compartilhada. Na educação convencional, os alunos se adaptam ao currículo oferecido, mas na educação de adultos os alunos ajudam a elaborar os currículos. Em condições democráticas, a autoridade pertence ao grupo.”

Lindeman foi um educador americano, notável por suas contribuições pioneiras na educação de adultos.

Agradeço pelo tempo dedicado a leitura, até o próximo!

Knowles, Malcolm S.; holton III, Elwood F.; swanson, Richard A. Aprendizagem de resultados: uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

 

Ramo de Negócios agradece Mari Santos pela colaboração!

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1 Comment

  1. Excelente!

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