Design Thinking

Por Alessandra Rodrigues

A compreensão do que é o Design Thinking não é tão fácil e pode levar a erros de interpretação, por isso, nos próximos parágrafos vamos de maneira bem simples expor o conceito do Design Thinking.

Alguns definem Design Thinking como metodologia, outros como uma abordagem, outros como especialização e alguns como um processo, de todas as nomenclaturas empregadas a que mais me agrada é a última, pois processo indica ação, é um conjunto de ações que tem um objetivo comum e que pode ter vários propósitos.

E por que é tão difícil definir o que é Design Thinking?

Por que seu conceito está diretamente relacionado ao processo criativo, e não existe uma linearidade em um processo criativo, não existe um passo a passo, não existe uma receita de bolo, o processo é livre e vai fluindo conforme as necessidades que vão surgindo.

No processo de Design Thinking você utiliza da criatividade para inovar nos seus produtos, serviços e projetos. Design Thinking busca a solução de problemas de maneira criativa e coletiva, por que ela coloca as pessoas como centro do projeto, todo produto, serviço ou projetos desenvolvidos tem como foco atender as pessoas e não somente em atender o consumidor final, com isso se desenvolve a empatia que é uma das características base do Design Thinking.

O conceito de Design Thinking começou a ser instituído a partir de 1991 com o surgimento da empresa IDEO, fundada em Palo Alto na Califórnia , a empresa é conhecida por utilizar o Design Thinking no desenvolvimento dos seu produtos, serviços e experiências digitais, a empresa possui diversos clientes renomados no mercado em que atuam, inclusive um dos trabalhos realizados pela empresa foi o primeiro mouse da Apple, em mais de três décadas a empresa já desenvolveu mais de 3 mil produtos e serviços, e ganhou mais de 300 prêmios internacionais. Tim Brown, CEO da IDEO, tenta explicar a diferença entre ser designer e pensar como um designer, segundo Brown, enquanto o design possui um trabalho mais tático e operacional, o designer thinking atua a nível estratégico, por isso o Design Thinking não é uma ferramenta de designer e sim de gestão, podendo ser utilizada por administradores, executivos, gerentes e todos aqueles que atuam com gestão, porem o termo é polêmico e ainda causa muita confusão.

Apesar do conceito de Design Thinking utilizar técnicas de designer para formar seu processo, o conceito é diferente no que diz respeito a solucionar os problemas, pois ele busca ângulos e perspectivas diferentes, o que exige uma equipe multidisciplinar, o trabalho de um designer thinking não anula o trabalho de um designer, eles se complementam. Quanto mais perfis diferentes você tiver disponível em sua equipe, maiores serão as quantidades de ideias nas soluções de problemas.

Cada individuo possui conhecimento e cultura diferentes uns dos outros, o que faz com que cada um resolva seus problemas de maneira diferente, e quanto maior for a quantidade de soluções diferentes que você obtiver para resolver determinada situação, maior serão as suas opções em definir o que será melhor para aquele projeto. Por exemplo, você decide implantar um projeto em sua empresa, porem esbarra em um problema, durante a reunião quanto maior o número de opções você tiver para a resolução daquele problema, maior será o seu potencial de inovação e de obter destaque no mercado.

É sempre importante frisar que o conceito gira sempre em torno de pessoas, então quando no desenvolvimento de um produto você não irá conduzir o projeto pensando em como o cliente irá gostar, e sim, em como eu iria gostar que fosse esse produto se eu estivesse consumindo ele. E todos os integrantes da equipe de desenvolvimento devem estar conscientes dessa premissa, caso contrário o processo de Design Thinking acaba perdendo a sua essência.

Para que o Design Thinking não perca a sua essência, ele possui algumas bases, que são: empatia, experimentação e prototipação. Empatia é você saber se colocar no lugar do outro, é saber entender e compreender os sentimentos, as emoções, os comportamentos, os desejos e as necessidades. Experimentação é você experimentar e arriscar as ideias, a tarefa é juntar o máximo de ideias possíveis e prototipar as melhores. Prototipação é concretizar as ideias, é dar vida física ao produto ou serviço para identificar se ele é viável, é transformar desafios em oportunidades.

Como eu citei no começo do artigo, não existe uma “receita de bolo” para um processo que tem como fundamento o processo criativo, porem o Design Thinking possui quatro fases, que podem e devem ser implantadas conforme as necessidades do projeto irem acontecendo, não é um processo engessado, ele pode ir se moldando e inclusive algumas fases podem se repetir ao longo do projeto. E essas fases são:

  • Imersão é a vivência do problema, é a fase de levantar todas as informações possíveis, tanto da empresa, quanto do cliente, como do mercado de concorrentes e também das tendências do mercado;
  • Ideação que é a fase criativa, é a fase de buscar coisas novas e geralmente é quando são realizadas as reuniões de brainstorming, é importante nessa fase colocar todas as ideias a disposição sem julgamentos ou preconceitos, afinal, buscamos inovação;
  • Prototipação é validar as ideias, tirar do papel e concretiza-las;
  • Realização é o lançamento do protótipo no mercado, após ter concretizado o produto ou serviço é a hora de lança-lo.

Quando unimos as fases com as bases do Design Thinking, temos a imagem abaixo:

Apesar do Design Thinking já ser utilizado por algumas empresas timidamente, ele ganhou força nos Estados Unidos quando houve a percepção de que apenas 4% dos produtos que eram lançados obtinham sucesso no mercado. Em terras brasileiras o termo é mais falado do que utilizado, porem essa realidade está mudando e já possível cursar a disciplina. Segue alguns locais onde elas são ministradas:

  • ESPM – Escola Superior de propaganda e Marketing/SP – Cursos à Inovação & Design Thinking(curso presencial com carga horária de 24 horas. Custa em torno de R$ 2.000,00);
  • Escola Design Thinking – Imersão em Design Thinking(curso presencial em São Paulo, duração de 4 meses).
  • IDEO – The Design Thinking Company(livros e cursos online-pagos);
  • Stanford Univesity – Design Thinking Action Lab (cursos online gratuito);

O Design Thinking pode ser uma ótima ferramenta de gestão se implantada da maneira correta, caso contrário você pode ter muita empolgação no inicio e perder força no meio do processo. É uma ótima ferramenta para quem deseja inovar e se diferenciar no mercado em que atua, não somente no desenvolvimento de novos produtos ou serviços, mas também no desenvolvimento de projetos e na solução dos wicked problems.

 

Ramo de Negócios agradece Alessandra Rodrigues pela colaboração!

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