Equilíbrio – É difícil encontra-lo?

Por Marcos de Araujo

Por que é difícil encontrar equilíbrio entre vida pessoal e carreira profissional? Venho me perguntando isso a algum tempo. Dentro do meu circulo, cada vez mais amigos, colegas e familiares comentam sobre estarem sentindo pressões cada vez maiores por resultados. Jornadas de até 15 horas diárias se tornam rotina na vida de muitas pessoas durante um certo período de tempo.

E a vezes a sensação de não ser reconhecido também. Entra em cena um certo remorso: Quase não vejo minha família e amigos. Não estou praticando nenhuma atividade física, engordei. O que fazer? Por que atuar assim? Estas perguntas vem ao encontro de uma vasta multidão de profissionais do mercado.

Concordo: Trabalho não é sacrifício diário; só que as vezes é tão prazeroso que nos engole, sufoca e o que era para ser motivo de satisfação acaba sendo somente o motivo do sustento do verdadeiro eu.

Alguns comentam: “Estou a algum tempo me organizando em relação a isso”, ou, “Mais tempo dedicado a minha família é uma atitude que estou tentando incorporar”, ou ainda, “Atividade física? Estou mantendo a trancos e barrancos”.

O estranho é que a busca pelo significado e a formação pessoal é obtida em grande parte através dele, o trabalho, e de maneira enriquecedora. Todas as interações pessoais, situações a quais somos expostos, novas informações, etc. criam um ambiente que certamente influencia nossa personalidade.

A briga pela contenção/redução do estresse e a busca pelo tempo livre (ócio, segundo David Cohen) deve ser uma constante na vida das pessoas. No entanto, nunca conheci nenhum executivo que defenda o ócio como um item a ser incluso na rotina das pessoas para o sucesso no trabalho.

Este ponto é colocado como uma verdade absoluta por Cohen, no entanto, digo que depende do uso que fazemos. Não acredito que o ócio seja uma fonte de inspiração e potencialização do conhecimento. Acredito que o tempo livre pode ser útil para a transformação do indivíduo desde que a energia seja canalizada para este fim.

Quantos textos já não lemos sobre o inimigo número 1 (um) da comunicação nos lares, a TV? Acredito que o filósofo Bertrand Russell esteja certo quando diz que a diminuição organizada do trabalho deve conduzir a uma prosperidade relativa pois aspectos econômicos são impactados diretamente numa relação capital x trabalho x lazer, distribuindo o trabalho de maneira prazerosa e camuflada dentro do espaço de lazer.

Concordo também com os pontos de De Masi quanto a automação, flexibilidade / criatividade para as tarefas, redução no horário de trabalho, melhor distribuição do emprego, recuperação da ética e solidariedade. Pontos estes que com o tempo evoluirão e melhorarão os ambientes empresariais.

Discordo, no entanto, com a questão do preenchimento do tempo livre com mais trabalho. Acredito que a instabilidade econômica, a desvalorização das pessoas com idade superior a 40 anos no mercado de trabalho, os altos custos educacionais, os impostos relacionados ao trabalho e a previdência e o medo de uma velhice sem uma condição financeira adequada adicionados a constante disputa por status e reconhecimento levam as pessoas a buscar mais trabalho, pois precisam de mais dinheiro.

Vivenciamos a competição insana dentro das organizações, o downsizing, a terceirização, a globalização dentre outros fenômenos que afetaram fortemente a operação das empresas nos últimos anos, e o funil gerencial que estreitou mais ainda, obrigando as pessoas a uma disputa extrema por qualificação e posição dentro das organizações.

Entendo que as necessidades crescem a medida que são satisfeitas, no entanto não acredito ser esta a principal causa. O lazer será uma escolha somente para as pessoas que obtiverem a oportunidade de não terem medo do desemprego e da ausência governamental, ou seja, quando a competição ocorrer em níveis mais humanitários.

É fato, como relatado por Cohen, que as gerações mais novas vem gradativamente dando mais importância ao equilíbrio na vida. Projetando prioridades e dimensionando os sacrifícios envolvidos, ou seja, programando a vida baseado no que é realmente importante para si.

Certamente o trabalho em excesso também pode ser um recurso de fuga. No entanto, creio não ser muito significativo o número de pessoas neste estado. As organizações precisam promover a qualidade de vida, de maneira real e não como uma campanha de marketing.

Deve existir espaço para a recompensa pelo desempenho e criatividade e não somente punição para aqueles que não atingiram suas metas criadas pelos donos do poder. Temos que ser realmente sujeito de nossas ações na vida, buscando crescer e adquirir habilidades em todas as oportunidades de interação humana.

Trabalho assistencial é um exemplo: Dignifica, permite um crescimento e gera condições para que outros cresçam. Independentemente do equilíbrio entre vida pessoal e profissional ser um problema do qual quase ninguém consegue escapar, torna-se claro hoje a preocupação cada vez maior dos executivos pelo busca deste: Na verdade, recursos humanos em equilíbrio torna a empresa mais produtiva e inovadora; no final, tudo é uma questão de lucro.

 

Ramo de Negócios agradece Marcos de Araujo pela colaboração!

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