Motivação como Ferramenta de Gestão

Por Alessandra Rodrigues

Falar sobre motivação é algo extremamente delicado, pois a motivação é intrínseca, ela parte de dentro de cada um de nós. Quem nunca ouviu aquela famosa frase: não podemos ajudar quem não quer ser ajudado. Pois é, essa frase é tão verdadeira quanto assumirmos que a motivação primeiramente deve partir de nós, nós temos que querer, temos que nos permitir sentir motivação para qualquer coisa que desejamos fazer na vida.

Entretanto a motivação também por ser definida como O ATO DE DESPERTAR ALGUÉM PARA ALGO. Partindo dessa afirmativa, podemos concluir que nossas atitudes em relação a determinada pessoa também contribui para que ela se sinta motivada.

A palavra motivação é a somatória de motivo+ação, ou seja, algo aconteceu e isso fez com que você agisse. Sendo assim podemos afirmar que a motivação é o resultado da somatória entre um indivíduo e uma situação.

Existem algumas controvérsias sobre como funcionam os mecanismos da motivação, por que os impulsos que nos levam a motivação envolvem sentimentos como esperanças, anseios, receios, desejos, esforços e sonhos. Cada pessoa possui um tipo de necessidade, possui um sentimento mais forte do que o outro, e por isso o nível de motivação funciona de maneira diferente de indivíduo para indivíduo.

Há duas perspectivas básicas quando vamos analisar a motivação, que são: impulso e atração. O impulso está relacionado ao instinto de uma necessidade básica, como a fome. A atração está relacionada as nossas preferências, ao prazer, a atração nos impulsiona em direção a algo que gostamos, por exemplo, optar pelo nhoque ao invés do brócolis.

A motivação também está relacionada ao modo como as pessoas se comportam, e a diversidade de interesses permite que pessoas façam a mesma coisa por motivos diferentes, ou vice versa, pois existem muitas razões que levam um indivíduo a determinada ação, e essa motivação está no interior de cada um, a motivação está diretamente relacionada as nossos valores pessoais, tornando o estudo e análise da motivação cada vez mais complexos. Olhando por esse ponto de vista, parece inapropriado determinar uma regra básica geral sendo que as necessidades e os valores pessoais divergem de pessoa para pessoa.

Mediante a tantas diversidades, como podemos trabalhar a motivação no ambiente de trabalho?

É importante compreender a importância que cada pessoa dá para o trabalho que ela desenvolve. Não vai haver satisfação emocional se a tarefa que ela desenvolve não faz sentido algum pra ela, se a atividade desenvolvida não estiver de acordo com os valores pessoais dela, e se estiver fora do seu referencial como pessoa e como profissional.

Se torna difícil falar sobre motivação no trabalho sem citar as famosas teorias de Maslow, de Herzberg, de Alderfer e outros, teorias importantes e fundamentais que servem de base para todo o estudo da administração, área na qual sou formada, atuo e respeito. Porem gostaria de deixar um pouco essas teorias de lado e ao invés de citar sobre o que fala cada uma delas, vou falar sobre como funciona a motivação no dia a dia de trabalho de maneira prática e sucinta, com base nas minhas experiências profissionais e nos relatos de alguns colegas de trabalho que fui adquirindo.

Primeiramente vou falar da importância de um LÍDER dentro da equipe, o líder faz toda a diferença no processo de motivação dos funcionários, é ele que vai fazer a equipe trabalhar em sinergia, todos juntos pelo mesmo objetivo. Um bom líder é seguido, admirado, ele se torna um referencial para seus funcionários independente das necessidades e valores de cada um. É papel do líder ter atitudes para resolver os problemas e manter todos unidos, até mesmo nos momentos mais difíceis. Outro papel importante da liderança é evitar os conflitos no ambiente de trabalho, acredite, por mais que determinada pessoa não esteja exercendo o melhor trabalho da sua vida, poder trabalhar em um ambiente harmonioso (por mais que vez ou outra existam algumas divergências, o que é normal) faz toda a diferença para que ela produza e conviva bem no ambiente de trabalho.

Um dos fatores que vem me chamando bastante a atenção é a questão da TRANSPARÊNCIA, muitas vezes durante um processo seletivo os recrutadores “pintam a empresa de ouro”, falam sobre os benefícios, sobre o maravilhoso plano de carreira e muitas outras coisas que te fazem acreditar que “agora vai”, estou entrando na melhor empresa do mundo. Daí você vai trabalhar com a motivação a 100% (cem por cento), e nos primeiros meses você percebe que não é bem por ai, que a empresa não está muito preocupada com os seus benefícios e que aquele plano de carreira do qual falaram pra você, na verdade ainda é um escopo e não está implementado. Esse tipo de situação é real, acontece, e é de extrema importância que os gestores fiquem atentos a esse tipo de comportamento por parte dos recrutadores, pois aquele profissional que foi trabalhar super motivado, perdeu toda a sua motivação ao perceber que não houve sinceridade suficiente por parte da empresa. Esse é o tipo de motivação difícil de se recuperar, pois ela está atrelada a confiança.

Outra motivação que segue a mesma linha da questão da transparência são as famosas AVALIAÇÕES DE DESEMPENHO, e não me levem a mal eu adoro as avaliações de desempenho e acho de grande importância a aplicação delas, pois é uma ferramenta muito utilizada e que ajuda a definir estratégias. Contudo a avaliação de desempenho deve ser bem aplicada, bem estruturada e deve possuir fundamentos, por que através dela você pode motivar ou desmotivar o seu funcionário.

Se você coloca que todo o trabalho de um funcionário está sendo executado perfeitamente, e que não existem pontos a melhorar ou acrescentar, ele provavelmente irá almejar uma promoção, e se a empresa não pode sustentar um bom planejamento de cargos e salários, se ela não pode oferecer uma promoção àquele funcionário que se destacou, ele vai pensar que por mais que ele atinja bons resultados nada vai mudar, e isso pode gerar certa desmotivação. Por outro lado, se você critica demais e não coloca de maneira clara o que o funcionário precisa melhorar, mudar e produzir, isso também pode ser um fator de desmotivação, por que por mais que ele trabalhe, ele não está conseguindo atingir as expectativas da empresa. Concluindo, é importante dar atenção as avaliações de desempenho, pois aplicada de maneira errada, elas podem ser um verdadeiro “tiro no pé”.

Algumas empresas acreditam que oferecer TREINAMENTO ONLINE é uma maneira de garantir que ela informou o seu funcionário sobre o conhecimento que ele precisava adquirir para executar a sua tarefa com eficiência, mas o que eu percebo é que os funcionários (em sua grande maioria) realizam esses cursos por serem de caráter obrigatório, e que o conteúdo absorvido por eles durante os vídeos não são absorvidos da maneira como deveriam. Esse tipo de situação pode gerar desmotivação além de má interpretação da real importância daquela informação. Pois com tanto trabalho a ser feito, metas e produtividades a cumprir, se aquela informação fosse realmente importante, não teriam colocado uma máquina pra falar com você. Investir em apresentações, dinâmicas e até discussões em grupos, é uma maneira muito mais eficiente para aprender e para gerar um ambiente de bom relacionamento interpessoal entre os colaboradores.

É claro que se formos citar todos os fatores que podem gerar desmotivação no ambiente de trabalho, irá faltar linhas, porem os exemplos citados acima foram alguns daqueles que eu pude identificar nos últimos tempos, e com isso nós podemos concluir que a maneira como você geri a sua empresa e a cultura organizacional que você como empreendedor estabelece pra ela, são pilares essenciais para que você possa determinar o perfil do profissional que você busca no mercado de trabalho. Quando a cultura estabelecida pela empresa respeita e vai de encontro com os valores que determinado indivíduo carrega, e quando há transparência de ambas as partes, você reduz as chances de ter funcionários desmotivados.

 

Ramo de Negócios agradece Alessandra Rodrigues pela colaboração!

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