O poder da mulher para superar as imposições culturais e as dificuldades no mercado de trabalho

Por Alessandra Rodrigues

Conforme vamos entrando na vida adulta e começamos a adquirir deveres, obrigações e responsabilidades, vamos deixando o passado para trás e muitas vezes esquecemos da criança que éramos, e é durante a infância que aprendemos tudo o que sabemos hoje. A nossa relação familiar se torna a raiz que nos sustenta e que anos mais tarde serve como base para as nossas escolhas durante a vida.

Perceba que a afirmativa do parágrafo acima se aplica tanto para homens, quanto para mulheres, porem existe uma predominância cultural onde as mulheres recebem muitas privações durante a infância. Quantas mulheres já ouviram quando meninas “não sente assim, cruze as pernas, você é menina”, “não pode brincar de carrinho, é coisa de menino”, “nada de brincar na rua, isso é coisa de muleque”, “está ficando mocinha, não pode sair sem sutiã”, e essas são só algumas frases entre muitas que nos acompanham desde o momento em que o médico fala para os nossos pais: Parabéns! É uma menina!

Nesse modelo cultural a palavra NÃO é imposta muitas vezes, e o NÃO é uma palavra negativa que tem o poder de causar medo e reprimir. Quantas coisas você deixou de fazer alguma coisa, por que alguém te disse que NÃO era bom? Será que o fato de não ter sido bom para aquela pessoa, também não seria bom pra você? …Tudo o que acontece na nossa infância, reflete na nossa vida adulta.

A mulher por muito tempo ficou presa ao paradigma de que ela não precisava trabalhar e nem estudar, por que suas tarefas se limitavam a cuidar da casa, do marido e dos filhos. Com o passar do tempo a mulher foi se libertando e conquistando o seu espaço, e hoje já ocupa cargos importantes dentro de organizações multinacionais, tem o seu próprio empreendimento e muitas das vezes exercem funções que antes só eram exercidas por homens. O medo e a repreensão que existiam foi sendo substituído pela força de vontade e pelo poder de superação. Hoje a mulher está empoderada!

“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem.

Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente.

Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração.

Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos.

No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite.

Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas”. 

 ~Clarissa Pinkola Estés

Apesar da luta das mulheres por ocuparem posições importantes no mercado de trabalho, atualmente a mulher ainda não conquistou o direito a igualdade, ainda há preconceitos na hora da contratação e o salário ainda não é compatível com o dos homens no mercado de trabalho por mais que eles exerçam a mesma função. Segundo pesquisa do IBGE, em 2015, as mulheres receberam 75,4% da remuneração dos trabalhadores do sexo masculino.

Durante a nossa história tivemos muitas mulheres pioneiras, que inspiraram outras mulheres e que abriram as portas do mercado de trabalho para que hoje nós pudéssemos estar trabalhando, agora, a luta pela igualdade de gênero, contra o preconceito e pela independência financeira é uma batalha da mulher atual e que deixaremos de herança para as nossas filhas, sobrinhas, netas e para toda uma nova geração de mulheres.

A importância do Autoconhecimento

Se na vida adulta enfrentamos barreiras para conseguirmos nos posicionar no mercado de trabalho, imagina quando decidimos ser mães, conciliar a vida profissional, com a pessoal e com as milhares de tarefas e responsabilidades que surgem nessa nova fase da vida não é fácil, e como se não bastasse, começam a surgir milhares de pessoas dizendo o que você deve fazer e como deve fazer. A crítica é constante e a compreensão na maioria das vezes falta.

E acaba acontecendo que todo aquele medo e repreensão que existiam lá atrás, antes de você decidir se aventurar no mercado de trabalho, começa a surgir novamente, e agora muitas mulheres (mesmo que inconscientemente), carregam a culpa de serem mães, por que mediante a tantas responsabilidades e tantas tarefas pra conciliar, existe o medo de falhar com aquela pessoa que é o amor da sua vida, seu filho. Esse relato eu já li em outros artigos, assisti em reportagens jornalísticas, e ouvi de mães com quem tenho o prazer de conviver, mães que a qualquer hora do dia estão dispostas a largar o seu posto para atender ao chamado de um filho.

Seria irresponsável de nossa parte ignorar que tudo tem um preço, e que o fato da mulher estar cada vez mais inserida no mercado de trabalho mudou a maneira como a educação é conduzida dentro de casa, e que, consequentemente isso reflete na educação e na cultura de toda uma sociedade, nossas atitudes individuais interferem no coletivo. E você se lembra que lá no inicio do texto falamos sobre como a nossa infância interfere nas nossas escolhas e na nossa vida como adultos?

O padrão está mudando e quando eu cito que as mulheres conquistaram grande espaço no mercado de trabalho e que elas devem sim que lutar pelos seus direitos, mas ao mesmo tempo também cito que essas escolhas tiveram um preço em ralação à educação dos filhos e com impacto significativo na nossa sociedade, pode parecer que estou citando ideias opostas e convergentes. Por isso quero esclarecer que eu não sou feminista, muito menos machista, eu simplesmente acredito no poder de escolha que foi dado a cada um de nós.

“Hoje eu escolho aceitar a minha fragilidade e transforma-la em todos os abraços que eu puder dar. E você? O que sua consciência aceita em você? E no que você deseja que isso se transforme?

Heloisa Capelas.

A ferramenta mais importante para que nós consigamos lidar com toda essa questão é o autoconhecimento, você precisa saber quem você é, o que você quer e qual caminho você deve seguir, o autoconhecimento tem o poder de fazer você trabalhar melhor as suas escolhas. E para a mulher, trabalhar o autoconhecimento é fundamental para que ela consiga lidar com todas as imposições culturais que sofremos desde a infância, e principalmente, que saibamos lidar na vida adulta com as criticas que iremos enfrentar.

Se conhecer é ser dona de si, é fazer boas escolhas e principalmente é saber lidar com o preconceito que existe da mulher contra outra mulher, pois é comum uma mulher criticar a outra por que ela optou deixar de trabalhar para cuidar dos seus filhos, da mesma maneira que é comum uma mulher criticar a outra por ter optado em não ter filhos e se dedicar ao sonho profissional, e essa é a maior luta que enfrentamos. Pois nós sempre buscamos apoio nos nossos semelhantes, é natural do ser humano, e quando não encontramos a tendência é desanimar, e é nessa situação que a segurança que você desenvolver em você através do autoconhecimento, te manterá firme mediante as criticas.

Eu costumo dizer que nessas situações não existe o certo e nem o errado, existe aquilo que você escolheu viver, e isso deve ser respeitado. Na luta contra esse preconceito que existe, eu costumo me inspirar na seguinte frase:

“Nós mulheres somos 52% da população e mães da outra metade. Podemos mudar as coisas!”

Maria da Penha

 

Site consultado:

Diferença Salarial entre Homem e Mulher cai em 2015

 

Ramo de Negócios agradece Alessandra Rodrigues pela colaboração!

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