Os benefícios e desafios da Internacionalização de Empresas

Por Marina Videira

É muito comum ouvirmos falar das empresas multinacionais, transnacionais, globais e internacionais. O prestígio em trabalhar e o desafio de fornecer serviços ou produtos para uma empresa conhecida no mercado internacional, é de fato assunto nas mesas de negociações e conversas entre empresários. Como internacionalizar? Porquê internacionalizar? Quando internacionalizar? E a dúvida mais frequente, internacionalizar ou não minha empresa ou minhas operações?

Avaliando as maiores corporações internacionais, percebemos que não é uma decisão fácil, pois demanda estudo, tempo, estruturação de estratégias operacionais e em muitos casos – coragem. O processo de internacionalização de empresas não começou na globalização, como muitas pessoas acreditam. A partir do século dezoito, não coincidentemente no período da Revolução Industrial, as empresas começaram a se internacionalizar. No século vinte, com o avanço tecnológico dos transportes e da comunicação, intensificou o comércio internacional, quando nasceram os grandes grupos e corporações internacionais que, em sua grande maioria, existem até hoje. Obviamente não haviam metodologias para que o processo de internacionalização fosse realizado com segurança e êxito, o que levou algumas empresas à falência, ou reposicionamento da empresa em mercados específicos.

É crucial entender a quantidade de fatores decisores para uma empresa se internacionalizar. Cada país tem sua própria política, moeda, cultura, religião, particularidades geográficas, histórico de desenvolvimento mercadológico e suas limitações e avanços sociais. Cada fator deve ser estudado com cautela.

Segundo a Forbes, as 25 empresas mais ricas do mundo são empresas globais. Segundo o Bacen, o número de empresas que investem no Brasil é maior que o número de capital nacional no exterior. Essa é uma informação curiosa e um tanto quanto intrigante, tendo em vista o Custo Brasil. A nossa mão de obra não é tão qualificada (em sua maioria), porém é barata. Nossa carga tributária é uma das maiores e mais complexas do mundo. Nossa infraestrutura, apesar de ser boa nas grandes metrópoles, ainda deixa a desejar quando falamos de transportes, onde há um grande desafio para as centrais de distribuição pois nosso país é grande, não temos ferrovias, nossas estradas são precárias e geram custos maiores na manutenção do transporte e sua execução.

Para as empresas brasileiras, conseguimos identificar algumas barreiras para a internacionalização: a falta de conhecimento sobre os mercados onde desejam inserir-se, a baixa qualidade dos produtos ou o desconhecimento do seu diferencial competitivo, alto custo de transição (mão de obra, matéria prima, transportes, financiamentos, burocracias), desconhecimento do que o mercado alvo considera como diferencial relacionado àquele produto ou serviço, dificuldade na gestão de pessoas, a falta de recursos financeiros pra justificar a operação. A principal dificuldade está em contratar pessoas capacitadas para administrar e gerenciar a operação local, pois não sabem as informações necessárias para realizar todo o processo de internacionalização e mantê-lo em uma localização boa, produtos adequados, e parceiros estratégicos. Entretanto, o Brasil é muito rico em recursos naturais, o que atrai as grandes empresas internacionais.

Dos fatores relevantes no processo de internacionalização destaco as principais. Na Teoria de Custos de Transação, são considerados todos os custos relacionadas a produção do seu produto, e visa encontrar fornecedores estratégicos em outros países, com melhor custo-benefício, onde a empresa pode aumentar o seu lucro e ser mais competitivo que seus concorrentes. Porém, na Teoria da Firma, afirma-se que todas as empresas são iguais, o que as diferencia são os seus recursos internos – produto ou pessoas – o que leva a empresa a ter uma vantagem competitiva sustentável e difícil de ser copiada por concorrentes. A presença internacional também leva credibilidade às negociações, pois traz barganha comercial e mais conhecimento sobre o produto e o mercado em que está inserido. O enriquecimento mercadológico é impagável. O fato de cada país ter uma particularidade, cultura, referências, crenças, na maioria dos casos, surgem novos produtos, que agregam ainda mais o portfólio das empresas globais.

A internacionalização coopera para o objetivo principal das empresas, gerar lucro. A visão internacional de um determinado segmento, enriquece o conhecimento relacionado àquele produto ou serviço, gera a criação de novos produtos ou a exploração de uma demanda ainda não atendida pelo mercado. A inserção em outros países diversifica a fonte de lucro das empresas globais, pois a empresa não fica dependente de recursos de um só lugar, podendo mudar de estratégia conforme a região e suas particularidades.

Cuidado! Enquanto a maioria das empresas começam o processo de internacionalização, sem nenhuma pesquisa focada nos fatores políticos, desenvolvimento social, comercial, econômico, cultural, mercadológico e histórico religioso, a tendência é fracassar em pontos que podem ser cruciais para o êxito do projeto de internacionalização, o que pode gerar prejuízos. Por fim apesar de atentar-se para o dinamismo de todas essas variáveis, os desafios serão constantes pois não temos controle sobre todas elas, mas temos que ter conhecimento de todas para podermos aprender, planejar, organizar e executar. Quem sabe existe um país esperando pelo seu produto ou serviço – e você não sabe!

 

Ramo de Negócios agradece Marina Videira pela colaboração!

Dúvidas ou Sugestão para seu Ramo de Negócios? Entre em contato!

contato@ramodenegocios.com

3 Comment

  1. Gisele says: Reply

    Muito bom! Artigo interessante!

    1. Marina Videira says: Reply

      Obrigada Gisele!!!

  2. Heloisa Gomes Santos says: Reply

    Ótimo artigo!

Leave a Reply